Iguatemi

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domingo, 3 de março de 2013

Um só problema e uma só solução

Educação é, em síntese, evolução individualizada, processando-se, conscientemente, com a cooperação do próprio indivíduo. É a lei universal adequando-se ao homem com a sua aquiescência mesma, na sublime aspiração de colaborar com Deus no aperfeiçoamento pessoal, através do que se denomina autoeducação.

Assim sendo, estamos em face do supremo problema da vida, pois se trata da chave mediante a qual todos os demais serão solucionados, e, sem o concurso dele, nada se resolverá satisfatoriamente.


Daí a razão dos fracassos que se vêm verificando através de todos os tempos no que concerne às medidas e aos processos empregados em tudo que se prende à reforma da sociedade. Todas as questões pertinentes àquele objetivo continuam inalteradas, a despeito dos esforços empregados pelos dirigentes e pelos técnicos especializados em Sociologia, Psicologia, Política, Economia e outras tantas disciplinas do escolasticismo vigente.


Toda a forma política é boa em mãos de homens cônscios de seus deveres e responsabilidades. Nenhuma delas presta quando manejada por indivíduos inescrupulosos e desonestos. As melhores Constituições, as leis mais sábias, visando assegurar os direitos e o bem-estar dos povos, nada representam se as rédeas do poder se acham no domínio de demagogos impudicos cujos objetivos sejam locupletar-se da posição que ocupam e da força de que ocasionalmente dispõem.


Leis luminosas e justas, dependendo da interpretação e aplicação de políticos corruptos, tornam-se inócuas e inoperantes no sentido do bem coletivo; pois até mesmo dispositivos e postulados inexpressivos e obsoletos, sob o critério de pessoas sensatas e conscienciosas, podem assegurar a felicidade de um povo e o renome de uma nação.


O mesmo sucede com respeito às religiões. Em qualquer hipótese e circunstância, não são as leis, as formas e os códigos que promovem e garantem a estabilidade das instituições e a justiça social, mas sim os seus executores. Tudo depende do homem e não do jogo dos regulamentos e do emaranhado de dispositivos, regras e artigos metodicamente colecionados. Tudo se burla, torce e se mistifica, menos o caráter íntegro, estruturado e consolidado mediante esforços e lutas consumadas conscientemente com aquele propósito.


A reforma social, em todo o sentido e sob todos os aspectos, será a soma das reformas individuais, ou não passará de utopia, de quimera explorada pelos fariseus de alto e baixo coturno.


A vida tem uma finalidade clara e positiva, que é a evolução. Esta se processa nos seres conscientes e responsáveis mediante renovações íntimas, constantes e progressivas. Semelhante fenômeno denomina-se Educação.


Fora, pois, da educação que se transforma em autoeducação quando o indivíduo a imprime em si mesmo, não existe solução para os problemas da vida, quer considerada individualmente ou em relação à coletividade humana.

Por isso, a obra de redenção, encarnada pelo Divino Mestre, é OBRA DE EDUCAÇÃO. Por essa razão, também, o Mais Alto assim se pronuncia: “Mais humano e cristão é premunir contra o mal os nossos semelhantes, acendendo- -lhes no espírito o facho da educação, que instrui, consola, melhora e fortalece, do que deixá-los penar na cegueira primitiva, reservando-nos para oferecer-lhes mais tarde o grabato do hospital, ou impor aos rebeldes a moralização cruciante da penitenciária”.


Livro - O Mestre na Educação - Pedro de Camargo Vinicius

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