Iguatemi

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terça-feira, 10 de julho de 2012

Coisas da Minha Vida


É verdadeiro dizer que jamais esquecemos o que vivemos. Podemos até tocar a vida deixando para trás fatos vividos, mas, a verdade é que um dia, essas lembranças afloram. Às vezes, elas ressurgem através de um perfume, uma música e tantas outras coisas. A música, para mim, tem significado especial, marca uma época, faz parte da minha estória de vida. E é através da música que retornam as sensações vivenciadas no passado.

Vasculhando o Youtube, me deparei com a música "A Janela", de Roberto Carlos. E essa música me fez de imediato voltar atrás no tempo e relembrar o ano de 1973, mais precisamente o mes de maio, em que residia nos Morros, município de Grajaú, Maranhão. Através da janela da sala eu olhava a estrada e desejava, imensamente, fugir de tudo aquilo. Essa música revelava meu íntimo.

A cerca de um mes, minha mãe, eu e mais duas irmãs pequenas, havíamos saído da cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, cidade em franco crescimento e bastante civilizada para residirmos num povoado quase que indígena, porque meu pai decidira ser fazendeiro no Maranhão. Como não tínhamos como sobreviver em Juazeiro, tivemos que segui-lo. O agravante da estória é que, deixara um namorado e estava grávida de dois meses. Há época, com 15 anos e nenhuma capacidade de enfrentar a vida lá fora.

Eu tinha um problema sério para resolver e não esperava da parte de meus pais nenhuma compreensão. Dessa forma, eu olhava aquela estrada dia e noite, pensando numa forma de fugir dali e resolver minha vida. Conselhos de minha mãe não faltavam, mas, como diz a música "Minha mãe vive falando sem saber que eu tenho meus problemas e que às vezes só eu posso resolver".

E foi assim que, um dia saí de casa em busca de meu destino. Atravessei a estrada que ficava a frente de minha casa, andei um pouco mais para não ser vista e fugi em um dos carros que diariamente trafegavam por aquela região. Fui em busca de meu destino.

Mais essa é uma história para ser contada em outra oportunidade.

O que a letra tem em comum com a minha história? Quase tudo. Só que decidi não ficar.

Da janela o horizonte
A liberdade de uma estrada eu posso ver
O meu pensamento voa livre em sonhos
Pra longe de onde estou
Eu às vezes penso até onde essa estrada
Pode levar alguém
Tanta gente já se arrependeu e eu
Eu vou pensar, eu vou pensar
Quantas vezes eu pensei sair de casa
Mas eu desisti
Pois eu sei lá fora eu não teria
O que eu tenho agora aqui
Meu pai me dá conselhos
Minha mãe vive falando sem saber
Que eu tenho meus problemas
E que às vezes só eu posso resolver
Coisas da vida
Choque de opiniões
Coisas da vida
Coisas da vida
Novamente eu penso ir embora
Viver a vida que eu quiser
Caminhar no mundo enfrentando
Qualquer coisa que vier
Penso andar sem rumo
Pelas ruas, pela noite sem pensar
No que vou dizer em casa
Sem satisfações a dar
Coisas da vida
Choque de opiniões
Coisas da vida
Coisas da vida
Penso duas vezes me convenço
Que aqui é o meu lugar
Lá fora às vezes chove
E é Quase certo que eu vou querer voltar
A noite é sempre fria
Quando não se tem um teto com amor
E esse amor eu tenho mas me esqueço
Às vezes de lhe dar valor
Coisas da vida
Choque de opiniões
Coisas da vida
Coisas da vida
Tudo tem seu tempo
E uma vida inteira eu tenho pra viver
E nessa vida é necessário a gente
Procurar compreender
Coisas que aborrecem
Muitas vezes acontecem por amor
E esse amor eu tenho esquecido às vezes
De lhe dar valor
Coisas da vida
Choque de opiniões
Coisas da vida

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