Iguatemi

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Saudades daí, mas, aqui tá melhor.


Participando da atividade do Grupo Enxugando Lágrimas (atividade em que cartas são psicografadas), que se realiza aos sábados no Centro Espírita Semente Cristã, fui surpreendida por uma correspondência endereçada a minha pessoa, por uma vizinha já desencarnada há mais de 25 anos. 

Pelo ano de 1986 ou 1987, não tenho bem certeza, iniciamos a construção de uma casa na Rua Prudente de Morais, 576 em Parnaíba e ao lado da residência em construção, uma moradora muito simpática, sempre nos recebia com um café quentinho e à sombra das árvores do seu quintal, ficávamos horas conversando sobre a vida e a expectativa da nova morada. Pouco tempo depois, mudamos para a nova casa e estreitamos a convivência. Dona Cotinha, assim se chamava a minha vizinha, costumava nos surpreender com algumas guloseimas preparadas por ela e, quando nada tinha para dar, uma tijelinha de sirigüela ou cajá nos era ofertada. 

Dona Cotinha morava sozinha e à tarde tinha o hábito de sair para assistir a missa. Era católica fervorosa. Certo dia partiu para a pátria espiritual.

A surpresa veio em forma de carta, em que fala da sua alegria e felicidade pela oportunidade de estar se comunicando e faz referência ao tempo em que foi nossa vizinha. Veja a carta na íntegra!

Que a graça do Senhor Jesus Cristo esteja aqui hoje.
Muito obrigado meu Pai pela oportunidade de tá aqui falando. Tanto tempo sem ter esse merecimento.
A menina que hoje falo não reconheço (refere-se a médium que psicografou a carta), dizem que era minha vizinha. Me lembro da família quando ela era criança. Ajudei muito as pessoas que moravam ali naquela rua, era deserta quando cheguei, mas, tinha uns parentes vizinhos que me aconchegavam a solidão. Com o tempo foi se povoando tudo, quando você chegou lá, minha filha, já estava lotada aquela rua.
Eu vivia só nos meus afazeres, eram tantos. Mas os anos se passaram, hoje estou aqui feliz, faço minhas atividades, tem um monte de velhinhos que nem eu para me acompanhar. Hoje visto um vestido preto cheio de margaridas pequenas, cabelo arrumado num coque, sandália preta, tô bonita, adoro passear assim, me faz bem. Agora, daqui vou a uma missa com outras pessoas em um lugar lindo, com gramado e muita planta, céu aberto.
Só queria dizer que tô muito feliz aqui. Lembro de todos vocês. Saudades daí, mas, aqui tá melhor. Fale prá sua mãe.

Cotinha.

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