Iguatemi

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sábado, 31 de outubro de 2015

Dois de Novembro: Dia dos Eternos


Imagem: Arquivo Google

Com a proximidade da comemoração do Dia de Finados, me ocorre escrever algo sobre esse dia em que, homenagens são direcionadas aos familiares que retornaram à pátria espiritual.

Inicialmente, um questionamento. Por que chamar nossos entes queridos de finados, apenas porque se ausentaram da nossa convivência? Prefiro “ausentes”. Não gosto dessa palavra, que passa a ideia de fim, pois, em verdade, eles prosseguem vivos em outra dimensão. Dia dos Eternos, seria mais expressivo.

E porque tememos a presença espiritual dos nossos entes queridos?

Lembro de ter conversado certa vez com um jovem, que me disse ter sentido um grande desejo de rever sua mãe que desencarnara. Pedira em prece lhe fosse concedido esse reencontro e que, certo dia, estando a repousar em seu quarto, sentiu uma mão leve a acariciar seus cabelos. Teve a certeza que se tratava da presença tantas vezes pedida, mas, teve tanto medo, que pediu para que ela se afastasse, ficando imensamente arrependido, depois que ela se foi.

Definitivamente, não recebemos nenhuma orientação religiosa ou acadêmica, sobre esse momento tão importante de nossas vidas. De tal forma que, nosso ente querido vira “alma do outro mundo”, e passamos a considerar finda a sua existência. E o pior, passamos a ter medo da sua presença.

Com a doutrina espírita o véu se descortina e compreendemos que, a morte definitiva não existe, da forma como nos foi ensinada. Os mortos, na doutrina espírita, são mortos segundo a carne, pois o Espírito é eterno. Na vida de além-túmulo, o ser prossegue vivo, consciente, amando e saudoso dos que ficaram. Portanto, nesse dia, pense com carinho nos seres ausentes que, com certeza, atraídos pela lembrança estarão próximos à espera de um pensamento que lhes relembre a convivência.

Nesse “Dia dos Eternos”, se deseja estar com seu familiar ausente, saiba que é possível, embora em dimensões diferentes. Busque um lugar de paz, faça uma prece e peça a Deus lhe conceda a capacidade de dialogar mentalmente com seu familiar e observe as ideias que surgem. Fatos vivenciados, momentos de alegrias poderão surgir em sua mente, sugeridos pelo ente querido, através da sintonia que se estabelece entre ambos.

Tudo é possível àquele que crê. Acredite!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Música Mensagem - Tocando em Frente

Foto: Chico Rasta

Gosto de música que na letra traga uma mensagem. Não dá pra ouvir ou cantar algo que não me diz nada. Preciso sentir a música!

Me identifico com a música de Almir Sater, que ora compartilho, porque sua mensagem traz paz e sabedoria.



Ando devagar 
Porque já tive pressa 
E levo esse sorriso 
Porque já chorei demais 

Hoje me sinto mais forte, 
Mais feliz, quem sabe 
Só levo a certeza 
De que muito pouco sei, 
Ou nada sei 

Conhecer as manhas 
E as manhãs 
O sabor das massas 
E das maçãs 

É preciso amor 
Pra poder pulsar 
É preciso paz pra poder sorrir 
É preciso a chuva para florir 

Penso que cumprir a vida 
Seja simplesmente 
Compreender a marcha 
E ir tocando em frente 

Como um velho boiadeiro 
Levando a boiada 
Eu vou tocando os dias 
Pela longa estrada, eu vou 
Estrada eu sou 

Conhecer as manhas 
E as manhãs 
O sabor das massas 
E das maçãs 

É preciso amor 
Pra poder pulsar 
É preciso paz pra poder sorrir 
É preciso a chuva para florir 

Todo mundo ama um dia, 
Todo mundo chora 
Um dia a gente chega 
E no outro vai embora 

Cada um de nós compõe a sua história 
Cada ser em si 
Carrega o dom de ser capaz 
E ser feliz 

Conhecer as manhas 
E as manhãs 
O sabor das massas 
E das maçãs 

É preciso amor 
Pra poder pulsar 
É preciso paz pra poder sorrir 
É preciso a chuva para florir 

Ando devagar 
Porque já tive pressa 
E levo esse sorriso 
Porque já chorei demais 

Cada um de nós compõe a sua história 
Cada ser em si 
Carrega o dom de ser capaz 
E ser feliz.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Nascer é que é o problema, e não, morrer.


Hermínio Miranda, na obra - Nossos filhos são Espíritos, no capítulo 7, descreve uma pesquisa realizada pela Drª Helen Wambach que achei interessante transformar em tema de palestra. Juntei à pesquisa, as questões de O Livro dos Espíritos que estão em consonância com as respostas dadas pelos pesquisados e estou disponibilizando o áudio, para quem não pode ir ao centro espírita, mas, tem interesse pela informação espírita. 

domingo, 25 de outubro de 2015

Seminário com Éden Lemos sobre a obra Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho


Seminário - Compreendendo a obra Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, realizado por Éden Lemos, no Centro Espírita Humberto de Campos, na cidade de Parnaíba, Piauí, na manhã de 25 de outubro de 2015, encerrando a XXVI Semana Espírita Humberto de Campos.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Brumas e Espumas


Imagem: Pluricosmética

Capítulo XXII da obra - Perguntaram-me se acredito em Deus, autoria de Rubem Alves. O texto é do Eclesiastes, narrado pelo Mestre Benjamin. 
Perfeito!

“Brumas e espumas.

Tudo são brumas e espumas...
Para tudo há um tempo determinado.
Há o tempo de nascer e o tempo de morrer.
O tempo de plantar e o tempo de arrancar o que se plantou.
O tempo de construir e o tempo de demolir.
O tempo de chorar e o tempo de rir.
O tempo de amar e o tempo de enfadar-se com o amor.
O tempo de guerra e o tempo de paz.
Para todas as coisas há um tempo certo.
Mas Deus colocou o coração do homem para além do tempo, na eternidade.

Nada há de melhor para o homem do que alegrar-se e levar uma vida prazerosa. E isso é presente de Deus, que o homem possa comer, beber e desfrutar do seu trabalho.

O que é, já foi. E o que vai ser também já foi. Mas Deus fará voltar o que já passou.


Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias e cheguem os anos em que dirás: Não tenho neles prazer.

Antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas, luzes da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro;

No dia em que os teus braços, guarda da tua casa, tremerem,
E as tuas pernas outrora fortes se curvarem,
E os moedores da tua boca cessarem de moer, por já serem poucos,
E os teus olhos, janelas da tua casa se cerrarem,
E os teus lábios se fecharem: o dia em que não puderes falar em voz alta,
E te levantares ao canto das aves, e não mais ouvires o som da música.
Quando tiveres medo do que é alto,
E te espantares no caminho,
E o teu cabelo ficar branco,
E um simples gafanhoto for muito peso para tuas forças,
E não tiveres mais fome.
Porque vais para a casa eterna
E os pranteadores já estão andando pela praça.
Antes que se rompa o fio de prata,
E se despedace o copo de ouro,
E se quebre o cântaro junto à fonte,
E o pó volte à terra
E o sopro da vida volte a Deus, que o soprou.
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho. Em todo tempo sejam brancas as tuas roupas e jamais falte óleo na tua cabeça. Goza a vida com quem tu que amas todos os dias da tua vida que logo passa, como passam as brumas e as espumas...”
Brumas e espumas: tudo são brumas e espumas.” (Eclesiastes)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Os olhos do ciumento vigiam.

Imagem: noticias.universia.com.br

Mais um texto de Rubem Alves. Eterno!

“Ela tinha a beleza tranquila da maturidade.
Alguns fios de cabelo branco davam ao seu rosto um encanto especial. 
De hábitos domésticos e simples, um de seus prazeres era assentar-se numa poltrona e entrar na bolha que a leitura cria.
Quem lê está num outro mundo, muito distante.
O marido a observava de longe. Olhos que observam são aqueles que olham quando o outro não está olhando. Seu olhar era o de apaixonado que desconfia, olhar de ciúme. Os olhos do ciumento vigiam.
Vigiam gestos, movimentos, horas, sorrisos.
Vigiam porque as modulações silenciosas e distraídas da pessoa amada podem conter revelações sobre aquilo que ela esta pensando.
O ciumento suspeita que o ser amado lhe esconda alguma coisa.
Olha na esperança de ver algo escondido, de entrar dentro do segredo do outro. O ciumento detesta os pensamentos.
Por mais que os vigie, eles estão além de sua vigilância.
Ele queria adivinhar seus pensamentos.
E a sua vigilância se exacerbava quando ela sorria ou ria.
Como explicar este sorriso se ele, o marido, não estava dentro do livro?
Ela não precisava dele pra ser feliz.
Porque ali, mergulhada no livro, o marido não existia…”
“O ciúme nasce quando se toma consciência de que a pessoa amada é livre. Ela é um pássaro pousado no ombro.
Nada o prende. Pode voar quando quiser.”

Fonte: contioutra.com

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Um desafio Chamado Família


Ame sua família, mesmo que nela exista alguém que lhe magoou. Aproveite o momento de esclarecimento, no futuro se colhe o que semeou. Diz uma estrofe da música espírita, Laços de Família. Escolhi começar esse texto com essa citação porque, dentro da família, o perdão e o amor, são atitudes a serem vivenciadas diariamente.

Viver em família é um grande desafio e ao mesmo tempo um importante aprendizado, pois o convívio diário nos dá oportunidade de limar as arestas com aqueles que por ventura tenhamos alguma diferença. Nascendo no mesmo reduto familiar é mais fácil superar as desafeições, pois os laços de sangue ainda se constituem num ponto forte a favor da tolerância e da convivência pacíficas, diz Joanna de Ângelis na obra S.O.S Família.

Os Espíritos nos esclarecem no capítulo XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo que, há duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Sua família é composta por laços materiais ou espirituais?

Participe conosco do estudo do evangelho e tire suas dúvidas.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir.


Revendo a obra de André Luiz, mais especificamente o livro - Entre a Terra e o Céu - que se encontra na ordem do estudo que estou realizando, me deparei já no primeiro capítulo, Em torno da Prece, com interessante informação, quando o Ministro Clarêncio, faz distinção entre "prece" e "invocação". 

Sobre a prece, diz Clarêncio:

– Em nome de Deus, as criaturas, tanto quanto possível, atendem às criaturas. Assim como possuímos em eletricidade os transformadores de energia para o adequado aproveitamento da força, temos igualmente, em todos os domínios do Universo, os transformadores da bênção, do socorro, do esclarecimento... As correntes centrais da vida partem do Todo-Poderoso e descem a flux, transubstanciadas de maneira infinita. Da luz suprema à treva total, e vice-versa, temos o fluxo e o refluxo do sopro do Criador, através de seres incontáveis, escalonados em todos os tons do instinto, da inteligência, da razão, da humanidade e da angelitude, que modificam a energia divina, de acordo com a graduação do trabalho evolutivo, no meio em que se encontram. Cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas... O caminho da ascensão espiritual é bem aquela escada milagrosa da visão de Jacob, que passava pela Terra e se perdia nos céus... A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou
remota, segundo as finalidades a que se destina. Desejos banais encontram realização próxima na própria esfera em que surgem. Impulsos de expressão algo mais nobre são amparados pelas almas que se enobreceram. Ideais e petições de significação profunda na imortalidade remontam às alturas...


– Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de freqüência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras. Sabemos que a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída pelas criaturas de Deus, em diversas idades e posições... No Reino Espiritual, compete-nos considerar igualmente os princípios da herança. Cada consciência, à medida que se aperfeiçoa e se santifica, aprimora em si qualidades do Pai Celestial, harmonizando-se, gradativamente, com a Lei. Quanto mais elevada a percentagem dessas qualidades num espírito, mais amplo é o seu poder de cooperar na execução do Plano Divino, respondendo às solicitações da vida, em nome de Deus, que nos criou a todos para o Infinito Amor e para a Infinita Sabedoria...


A respeito da invocação, diz Clarêncio:

Quando alguém nutre o desejo de perpetrar uma falta está invocando forças inferiores e mobilizando recursos pelos quais se responsabilizará. Através dos impulsos infelizes de nossa alma, muitas vezes descemos às desvairadas vibrações da cólera ou do vício e, de semelhante posição, é fácil cairmos no enredado poço do crime, em cujas furnas nos ligamos, de imediato, a certas mentes estagnadas na ignorância, que se fazem instrumentos de nossas baixas idealizações ou das quais nos tornamos deploráveis joguetes na sombra. Todas as nossas aspirações movimentam energias para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, a direção delas permanece afeta à nossa responsabilidade. Analisemos com cuidado a nossa escolha, em qualquer problema ou situação do caminho que nos é dado percorrer, porquanto o nosso pensamento voará, diante de nós, atraindo e formando a realização que nos propomos atingir e, em qualquer setor da existência, a vida responde, segundo a nossa solicitação. Seremos devedores dela pelo que houvermos recebido.

– Estejamos convictos, porém, de que o mal é sempre um círculo fechado sobre si mesmo, guardando temporariamente aqueles que o criaram, qual se fora um quisto de curta ou longa duração, a dissolver-se, por fim, no bem infinito, à medida que se reeducam as Inteligências que a ele se aglutinam e afeiçoam. O Senhor tolera a desarmonia, a fim de que por intermédio dela mesma se efetue o reajustamento moral dos espíritos que a sustentam, de vez que o mal reage sobre aqueles que o praticam, auxiliando-os a compreender a excelência e a imortalidade do bem, que é o inamovível fundamento da Lei. Todos somos senhores de nossas criações e, ao mesmo tempo, delas escravos infortunados ou felizes tutelados. Pedimos e obtemos, mas pagaremos por todas as aquisições. A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O que devemos entender por piedade filial?


O tema da nossa conversa é sobre a piedade filial. Dessa forma, trazemos à reflexão o Cap. XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, onde os Espíritos comentam o ensinamento de Jesus, sobre as atitudes que devemos ter em relação aos seres que nos receberam na condição de pais, para mais uma experiência de vida no planeta Terra.



Transcrevemos em seguida, o texto do evangelho que nos guiou na reflexão realizada durante o estudo do evangelho, realizado no Centro Espírita Semente Cristã, na noite desta sexta-feira, 9 de outubro de 2014.

Sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não roubareis; não prestareis falso-testemunho; não fareis agravo a ninguém; honrai a vosso pai e a vossa mãe. (S. MARCOS, capítulo X, v. 19; S. LUCAS, cap. XVIII, v. 20; S. MATEUS, cap. XIX, vv. 18 e 19.)

Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor vosso Deus vos dará. (Decálogo: "Êxodo", cap. XX, v. 12.)

O mandamento: "Honrai a vosso pai e a vossa mãe" é um corolário da lei geral de caridade e de amor ao próximo, visto que não pode amar o seu próximo aquele que não ama a seu pai e a sua mãe; mas, o termo honrai encerra um dever a mais para com eles: o da piedade filial. Quis Deus mostrar por essa forma que ao amor se devem juntar o respeito, as atenções, a submissão e a condescendência, o que envolve a obrigação de cumprir-se para com eles, de modo ainda mais rigoroso, tudo o que a caridade ordena relativamente ao próximo em geral. Esse dever se estende naturalmente às pessoas que fazem as vezes de pai e de mãe, as quais tanto maior mérito têm, quanto menos obrigatório é para elas o devotamento. Deus pune sempre com rigor toda violação desse mandamento.

Honrar a seu pai e a sua mãe, não consiste apenas em respeitá-los; é também assistir na sua necessidade; é proporcionar-lhes repouso na velhice; é cercá-los de cuidados como eles fizeram conosco, na infância.

Sobretudo para com os pais sem recursos é que se demonstra a verdadeira piedade filial. Obedecem a esse mandamento os que julgam fazer grande coisa porque dão a seus pais o estritamente necessário para não morrerem de fome, enquanto eles de nada se privam, atirando-os para os cômodos mais ínfimos da casa, apenas por não os deixarem na rua, reservando para si o que há de melhor, de mais confortável? Ainda bem quando não o fazem de má vontade e não os obrigam a comprar caro o que lhes resta a viver, descarregando sobre eles o peso do governo da casa! Será então aos pais velhos e fracos que cabe servir a filhos jovens e fortes? Ter-lhes-á a mãe vendido o leite, quando os amamentava? Contou porventura suas vigílias, quando eles estavam doentes, os passos que deram para lhes obter o de que necessitavam? Não, os filhos não devem a seus pais pobres só o estritamente necessário, devem-lhes também, na medida do que puderem, os pequenos nadas supérfluos, as solicitudes, os cuidados amáveis, que são apenas o juro do que receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Unicamente essa é a piedade filial grata a Deus.

Ai, pois, daquele que olvida o que deve aos que o ampararam em sua fraqueza, que com a vida material lhe deram a vida moral, que muitas vezes se impuseram duras privações para lhe garantir o bem-estar. Ai do ingrato: será punido com a ingratidão e o abandono; será ferido nas suas mais caras afeições, algumas vezes já na existência atual, mas com certeza noutra, em que sofrerá o que houver feito aos outros.

Alguns pais, é certo, descuram de seus deveres e não são para os filhos o que deviam ser; mas, a Deus é que compete puni-los e não a seus filhos. Não compete a estes censurá-los, porque talvez haja merecido que aqueles fossem quais se mostram. Se a lei da caridade manda se pague o mal com o bem, se seja indulgente para as imperfeições de outrem, se não diga mal do próximo, se lhe esqueçam e perdoem os agravos, se ame até os inimigos, quão maiores não hão de ser essas obrigações, em se tratando de filhos para com os pais! Devem, pois, os filhos tomar corno regra de conduta para com seus pais todos os preceitos de Jesus concernentes ao próximo e ter presente que todo procedimento censurável, com relação aos estranhos, ainda mais censurável se torna relativamente aos pais; e que o que talvez não passe de simples falta, no primeiro caso, pode ser considerado um crime, no segundo, porque, aqui, à falta de caridade se junta a ingratidão.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Cajueiro de Humberto de Campos


Foto: Panoramio

Quem transita pela rua Coronel José Narciso, centro da cidade de Parnaíba, com certeza, já se deparou com uma área cercada onde pode ser visto um imenso cajueiro e se perguntado: por que esse cajueiro estaria em área cercada por grades de proteção? Afinal, cajueiros na cidade de Parnaíba é o que não falta. Por que o destaque?

Ocorre que, esse, em especial, foi plantado no ano de 1896, por um ilustre cidadão que viveu parte de sua infância em Parnaíba e que, o imortalizou em sua obra intitulada – Memórias. Esse cidadão, conhecido pelo nome de Humberto de Campos, membro da Academia Brasileira de Letras. Claro que não há nenhuma novidade nessa informação, certo? Errado. Para muitas pessoas, principalmente os jovens, esse fato é desconhecido. O que não acontece Brasil a fora, onde o cajueiro é famoso e muitas pessoas já vieram à Parnaíba, apenas para conhece-lo.




Antonio Cesar Perri, ex-presidente da FEB, sua esposa Célia Maria Rey de Carvalho e José Lucimar, presidente da FEPI.

Li sobre o cajueiro, em minha infância, na escola. Quando no ano de 1983, fixei residência em Parnaíba, visitei pela primeira vez o cajueiro. Por essa época, já conhecia outras narrativas de Humberto de Campos, sobre o cajueiro, em obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier. Ainda não era celebrada a Semana Espírita Humberto de Campos, que teve início no ano 1989. Desde então, todo mês de outubro, o movimento espírita de Parnaíba, realiza durante uma semana, programação espírita em homenagem a Humberto de Campos.



Programação espírita realizada na Praça do Cajueiro de Humberto de Campos

Em 10 de novembro de 2008, deu-se um reconhecimento maior à essa programação quando, foi sancionada pelo prefeito José Hamilton, a lei número 2449, que entrou em vigor na mesma data, a partir de quando ficou “instituído o Dia da Memória da Parnaíba, a ser celebrado anualmente dia 25 de outubro”. Constávamos como proponente, juntamente com o Jornal cultural O Bembém, através de seus editores: Benjamin Santos, Diego Mendes Sousa e Tarciso Prado; Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico da Parnaíba (IHGGP), através de sua Presidenta, Filomena Bezerra; Centro de Ação e Integração Social (CAIS), através de seu Presidente, Fernando Silva.

Conforme o artigo 2º da Lei 2449, durante o Dia da Memória da Parnaíba deverão ser desenvolvidas ações e promoções que difundam, fortaleçam e resgatem a História do Município.

O Cajueiro, símbolo vivo da memória de Humberto de Campos, será palco do encerramento de mais uma Semana Espírita Humberto de Campos. Fato que se repete há 26 anos.

Confira a programação.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Perguntaram-me se acredito em Deus...


Fiz o pedido desse livro, mas, estava esgotado. Vou continuar tentando comprá-lo, pois, acho Rubem Alves, intrigante! Me identifico com seu pensamento. Esse texto sobre Deus, então...

Acabo de publicar um livrinho com o título Perguntaram-me se acredito em Deus… Ele nasceu de uma pergunta que me fez uma senhora, ao final de um debate sobre educação. Essa foi a pergunta que ela me fez: “O senhor acredita em Deus?”

Houve tempo em que era mais fácil acreditar em Deus. Hoje está mais difícil. Até o Papa, na sua visita ao campo de concentração de Treblinka, fez a pergunta que não deveria ter feito: “Onde estava Deus quando esse horror aconteceu?”

Se for levada a sério a pergunta do Papa é uma heresia. Deus não podia estar lá porque, se estivesse, ele não teria deixado aquele horror acontecer. Pois Deus não é amor? E todo poderoso? Se estava lá e deixou acontecer ou não é amor ou não é todo poderoso. Se ele não estava lá então ele não é onipresente. Até o representante de Deus na Terra ficou perturbado com a indiferença do seu Chefe.

Depois do atentado terrorista ao World Trade Center o New York Times publicou um artigo com essa mesma pergunta: Onde estava Deus? Estava lá? Se estava lá, por que deixou acontecer? Fiquei com vontade de escrever um artigo dando uma resposta à pergunta americana: “Deus estava no mesmo lugar onde estava quando a bomba atômica foi lançada sobre Hiroshima…”

Dietrich Bonhoffer, pastor protestante que foi enforcado por haver participado de um frustrado atentado para assassinar Hitler – ( Às vezes não há como fugir: ou matar um único, para que muitos não sejam mortos, ou, para preservar a pureza pessoal, não matar esse único e deixar que milhares sejam mortos; por vezes a inocência é mais criminosa que o crime… ) – lutou com essa pergunta: “Onde está Deus?” Sua resposta foi simples: “Ele está aqui mas não é todo poderoso; Deus é fraco…”

Se Deus existe e é forte, como perdoá-lo por permitir que acontecesse o que não deveria ter acontecido? Mas se Deus é fraco ou não existe, então é possível perdoá-lo e amá-lo. Aí choraríamos e diríamos: “Se Deus existisse ou fosse forte isso não teria acontecido…”

Mas eu não disse nada disso para a senhora. Apenas perguntei de volta, pedindo um esclarecimento: “Qual? Há tantos deuses… Os homens ferozes e vingativos imaginam um Deus feroz e vingativo que mantém, para sua própria alegria, uma câmara de torturas chamada Inferno onde se vinga dos seus desafetos por toda a eternidade. Há o Deus jardineiro que criou um Paraiso e mora nas árvores e nas correntes cristalinas. Há o Deus com alma de banqueiro que contabiliza débitos e créditos… Há o Deus da Cecília Meireles que se confunde com as águas do mar azul… Há o Deus erótico que inspira poemas de amor carnal… E há também o Deus criança de Alberto Caeiro e Mário Quintana. Qual deles?”

Ela ficou em silêncio, meio perdida. Acho que ela nunca havia pensado no que lhe disse. Então lhe respondi com os versos do Chico:

“Saudade é o revés do parto. É arrumar o quarto para o filho que já morreu”.

E perguntei: Qual é a mãe que mais ama? A que arruma o quarto para o filho que chegará amanhã ou a que arruma o quarto para o filho que nunca chegará?” E acrescentei: “Sou um construtor de altares à beira de um abismo. Construo meus alteres com poesia e beleza. Os fogos que acendo nos meus altares iluminam o meu rosto e aquecem o meu corpo. Mas o abismo continua escuro e silencioso…”

sábado, 3 de outubro de 2015

A semente de uma semente

                            
Atendendo ao convite do companheiros de ideal espírita, Luiz Carlos, estivemos na manhã deste sábado na cidade de João Peres, Maranhão, realizando um seminário sobre o suicídio, na Sociedade de Estudos Espíritas O Consolador. 

O grupo visitado, surgiu da iniciativa desse trabalhador da nossa instituição, Centro Espírita Semente Cristã que, tendo de fixar residência na cidade de João Peres, uniu-se a outros moradores da cidade que participaram de atividades da nossa casa e fizeram parte, por um período, do estudo sistematizado realizado em nossa casa.


Dora Rodrigues falando sobre as implicações do suicídio e acolhimento de pessoas na casa espírita
Heliodório Rodrigues falando sobre a prece

Luiz Carlos, juntamente com os componentes diretamente responsáveis pelos trabalhos da instituição, nos receberam fraternalmente e, durante toda manhã estivemos a conversar sobre as questões que dizem respeito ao suicídio, os benefícios da prece e atendimento fraterno que a casa espírita deve realizar, principalmente, nas questões que dizem respeito ao suicídio.

O grupo, após um período em que se reuniam em torno do evangelho, fundaram a instituição que já se encontra em funcionamento, na Avenida 13 de maio, S/N. 

Ficamos felizes por constatar que o trabalho se amplia em outros campos e que, nossos companheiros entenderam a proposta de divulgação da doutrina espírita. Sabemos que não é fácil levar adiante um trabalho de tal magnitude, pois, lidamos ainda com o preconceito daqueles que desconhecem os preceitos espíritas, mas, sentimos que a equipe está fortalecida e consciente da tarefa que ora repousa em suas mãos. 

Nos despedimos com a certeza de um breve retorno.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Benefícios pagos com a ingratidão


Ajudei e, o que recebi em troca? É o que muitas pessoas questionam, a ajuda ofertada e, nem sempre, retribuída. Alguns, decepcionados, vão mais longe e afirmam: não ajudo mais ninguém.

O tema do Estudo do Evangelho – Benefícios pagos com a ingratidão - realizado nesta sexta-feira, no Centro Espírita Semente Cristã, nos esclarece, à luz da doutrina espírita, sobre os benefícios que prestamos à familiares e amigos, em situações diversas e que, são pagos com a ingratidão. Por essa razão, muitos desistem de auxiliar, decepcionados que se encontram com a postura daqueles a quem ajudaram.

Assista aqui, o estudo da mensagem de O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 19, conforme transcrita abaixo.



Que se deve pensar dos que, recebendo a ingratidão em paga de benefícios que fizeram, deixam de praticar o bem para não topar com os ingratos?

Nesses, há mais egoísmo do que caridade, visto que fazer o bem, apenas para receber demonstrações de reconhecimento, é não o fazer com desinteresse, e o bem, feito desinteressadamente, é o único agradável a Deus. Há também orgulho, porquanto os que assim procedem se comprazem na humildade com que o beneficiado lhes vem depor aos pés o testemunho do seu reconhecimento. Aquele que procura, na Terra, recompensa ao bem que pratica não a receberá no céu. Deus, entretanto, terá em apreço aquele que não a busca no mundo.

Deveis sempre ajudar os fracos, embora sabendo de antemão que os a quem fizerdes o bem não vo-lo agradecerão. Ficai certos de que, se aquele a quem prestais um serviço o esquece, Deus o levará mais em conta do que se com a sua gratidão o beneficiado vo-lo houvesse pago. Se Deus permite por vezes sejais pagos com a ingratidão, é para experimentar a vossa perseverança em praticar o bem.

E sabeis, porventura, se o benefício momentaneamente esquecido não produzirá mais tarde bons frutos? Tende a certeza de que, ao contrário, é unia semente que com o tempo germinará. Infelizmente, nunca vedes senão o presente; trabalhais para vós e não pelos outros. Os benefícios acabam por abrandar os mais empedernidos corações; podem ser olvidados neste mundo, mas, quando se desembaraçar do seu envoltório carnal, o Espírito que os recebeu se lembrará deles e essa lembrança será o seu castigo. Deplorará a sua ingratidão; desejará reparar a falta, pagar a dívida noutra existência, não raro buscando uma vida de dedicação ao seu benfeitor. Assim, sem o suspeitardes, tereis contribuído para o seu adiantamento moral e vireis a reconhecer a exatidão desta máxima: um benefício jamais se perde. Além disso, também por vós mesmos, tereis trabalhado, porquanto granjeareis o mérito de haver feito o bem desinteressadamente e sem que as decepções vos desanimassem.

Ah! Meus amigos, se conhecêsseis todos os laços que prendem a vossa vida atual às vossas existências anteriores; se pudésseis apanhar num golpe de vista a imensidade das relações que ligam uns aos outros os seres, para o efeito de um progresso mútuo, admiraríeis muito mais a sabedoria e a bondade do Criador, que vos concede reviver para chegardes a ele.

- Guia protetor. (Sens, 1862.)

domingo, 27 de setembro de 2015

A homossexualidade é uma experiência evolutiva


Na semana passada, solicitei através do meu facebook, sugestões para temas a serem abordados à luz da doutrina espírita em nossa coluna e, dentre os temas sugeridos, a homossexualidade foi a escolhida para esse final de semana. Por se tratar de um tema atual e de interesse de muitos lares e da nossa sociedade.

As informações que trazemos dizem respeito ao pensamento dos Espíritos que, numa visão mais ampliada e a luz do conhecimento adquirido em suas vivências, nos instruem acerca da nossa trajetória evolutiva. A obra escolhida para nossa orientação foi o Livro – Vida e Sexo – Emmanuel, complementada por informações de O Livro dos Espíritos.

Na obra Vida e Sexo, o espírito Emmanuel esclarece que, a homossexualidade, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.

Segundo nos informam os Espíritos nas questões 201 e 202 de O Livro dos Espíritos, são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres, ou seja, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora como homem, ora como mulher. Quando no mundo dos Espíritos em preparação para novo reencarne, o que o guia na escolha são as provas por que haja de passar. Reconhece que a reencarnação propicia aprendizado intelectual, moral e, principalmente, no campo do sentimento. Escolhe, pois, a prova que lhe propicie maior adiantamento por entender que, aquele que só como homem encarnasse só saberia o que sabem os homens.

Continuando com Emmanuel: “Ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade ou masculinidade em que terá estagiado por muitos séculos”. Não querendo isso dizer que o homem delicado, sensível, assim como a mulher com traços de masculinidade, necessariamente serão homossexuais. O homem poderá dedicar-se sem constrangimento às atividades do lar, assim como, a mulher voltar-se para atividades reconhecidamente masculinas, conforme experiências anteriores. São Espíritos que vivenciaram suas experiências reencarnatórias com equilíbrio e que se candidatam a novos aprendizados.

O homossexual, por ter utilizado o sexo de forma desequilibrada, em total desrespeito ao sexo oposto, ao mudar a polaridade, ou seja, ao reencarnar em outro sexo, para aprender as lições que somente nesta condição aprenderia, traz a mente voltada para as experiências vividas e, no caso da mulher, como seu objeto de desejo era o homem, se sente desconfortável no papel de homem e continua a buscar parceiros masculinos. Da mesma forma acontece ao sexo masculino ao mudar a polaridade para o sexo feminino. É um espírito que está se sentindo desconfortável no corpo que está habitando, pois, com seu psiquismo voltado para determinado sexo, reencarna em sexo oposto e não se adapta.

Daí poder ser observado já na infância, os trejeitos, as afinidades de meninos ou meninas, com brincadeiras e uso de objetos do sexo oposto, como roupas e acessórios. Orienta o espírito Emmanuel que, observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual. É dever da Família (Sociedade) abraçar com amorosidade o homossexual, compreendendo sua natureza, suas possibilidades e seus desafios, auxiliando-o para viver de forma harmoniosa a condição de prova em que a reencarnação o situou. As noções da moral cristã de respeito a si mesmo e aos outros, assim como, o incentivo ao estudo e ao trabalho, possibilitarão conduzir-se com equilíbrio, sem os desregramentos que culminam na prostituição.

Informa o benfeitor que, essa ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com o próprio desenvolvimento da Humanidade, pois, a homossexualidade é uma experiência evolutiva. Isso quer dizer que, espíritos estarão mudando a polaridade e, mais e mais lares receberão espíritos nesta condição de aprendizado, na feição de filhos ou netos. E alerta: Por enquanto, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda amanhã.